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Isenção de IRRF sobre auxílio-creche pago pelo Poder Judiciário

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isenção de IRRF sobre auxílio-creche
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A isenção de IRRF sobre auxílio-creche pago pelo Poder Judiciário foi confirmada pela Receita Federal do Brasil (RFB) através da Solução de Consulta nº 294/2019. Esta orientação tributária esclarece importantes aspectos sobre a não incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os valores pagos a título de auxílio-creche no âmbito do Programa de Assistência Pré-escolar do Poder Judiciário.

Tipo de norma: Solução de Consulta
Número/referência: nº 294 – Cosit
Data de publicação: 12 de dezembro de 2019
Órgão emissor: Coordenação-Geral de Tributação (Cosit) da Receita Federal do Brasil

Introdução

A Solução de Consulta nº 294/2019 da Cosit esclarece a questão da tributação do auxílio-creche pago no âmbito do Poder Judiciário, especificamente quanto à dispensa de retenção do Imposto de Renda. A norma beneficia servidores que possuam dependentes de até 5 anos de idade e produz efeitos desde sua publicação, trazendo segurança jurídica para as partes envolvidas.

Contexto da Norma

A consulta foi motivada por um caso específico envolvendo a operacionalização de um acordo homologado em processo judicial sobre prestação de alimentos. O consulente buscava esclarecer se o benefício do auxílio-creche, quando repassado por servidor de órgão do poder judiciário a um alimentando, manteria sua natureza indenizatória (isenta) ou se assumiria a natureza de pensão alimentícia (tributável).

A análise se baseou na interpretação da legislação tributária, especificamente na Instrução Normativa RFB nº 1.500/2014, art. 62, inciso XIV, que dispensa da retenção do IRRF as verbas recebidas a título de auxílio-creche pelos trabalhadores até o limite de 5 anos de idade de seus filhos, e no Ato Conjunto TST/CSJT nº 3, de 1º de março de 2013, que regulamenta o Programa de Assistência Pré-Escolar no âmbito do Poder Judiciário.

Principais Disposições

De acordo com a Solução de Consulta, os valores pagos a título de auxílio-creche, conforme o Programa de Assistência Pré-escolar no âmbito do Poder Judiciário, não se sujeitam à exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Este entendimento se aplica quando o benefício é concedido:

  • Em favor de quem mantém a guarda do dependente; ou
  • Em favor de quem, mesmo não tendo a guarda, esteja obrigado por decisão judicial a arcar com a integralidade das despesas escolares.

A norma estabelece claramente que, mantida a natureza jurídica dos pagamentos como auxílio-creche, não há exigência do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) pela fonte pagadora.

Importante destacar que, conforme o art. 14 do Ato Conjunto TST/CSJT nº 3/2013, o dependente deixará de fazer parte do Programa de Assistência Pré-escolar quando:

  1. Completar 6 (seis) anos de idade cronológica ou mental;
  2. Ocorrer seu óbito;
  3. Começar a cursar o ensino fundamental, ainda que não atingida a idade limite;
  4. O magistrado ou servidor responsável pelo benefício:
    • Aposentar-se ou encerrar o vínculo funcional com a Justiça do Trabalho;
    • Entrar em licença ou afastamento não remunerados;
    • Perder a guarda ou a tutela do menor;
    • Solicitar o cancelamento do benefício.

Impactos Práticos

Esta Solução de Consulta traz importantes implicações práticas para servidores do Poder Judiciário que recebem o auxílio-creche:

  • A isenção de IRRF sobre auxílio-creche garante que os valores recebidos não sofram descontos tributários, preservando o poder aquisitivo do benefício;
  • Em casos de separação judicial ou divórcio, o benefício mantém sua natureza indenizatória (isenta) mesmo quando repassado ao genitor que detém a guarda ou que é responsável pelas despesas escolares;
  • Os valores não precisam ser declarados como rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DAA);
  • A fonte pagadora (órgão do Poder Judiciário) não deve efetuar a retenção do imposto sobre esses valores.

Para os departamentos de recursos humanos e folha de pagamento dos órgãos do Poder Judiciário, a orientação elimina dúvidas quanto ao tratamento fiscal a ser aplicado, evitando possíveis autuações por parte da Receita Federal.

Análise Comparativa

O entendimento expresso na Solução de Consulta nº 294/2019 se alinha com o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.118, de 10 de novembro de 2011, aprovado por Despacho do Ministro de Estado da Fazenda e publicado no Diário Oficial da União de 15 de dezembro de 2011, e o Ato Declaratório PGFN nº 13, de 20 de dezembro de 2011.

A decisão traz segurança jurídica ao confirmar que, mesmo quando há repasse do valor entre genitores em virtude de acordo judicial de alimentos, o auxílio-creche mantém sua natureza indenizatória. Isso representa um avanço interpretativo importante, pois diferencia claramente a natureza do auxílio-creche (verba indenizatória) da pensão alimentícia (que pode ser tributável para o alimentando).

Considerações Finais

A Solução de Consulta nº 294/2019 da Cosit traz uma orientação clara sobre a isenção de IRRF sobre auxílio-creche no âmbito do Poder Judiciário, garantindo segurança jurídica tanto para os servidores beneficiários quanto para os departamentos responsáveis pelo processamento da folha de pagamento.

É importante que os servidores públicos beneficiários do auxílio-creche fiquem atentos às condições para manutenção do benefício, especialmente quanto ao limite de idade (5 anos) e ao ingresso da criança no ensino fundamental, que são marcos para a cessação do direito ao auxílio, conforme estabelecido no Ato Conjunto TST/CSJT nº 3/2013.

Para os profissionais de recursos humanos e contabilidade que atuam em órgãos do Poder Judiciário, recomenda-se a atualização dos procedimentos internos para assegurar a correta aplicação da isenção de IRRF sobre auxílio-creche, evitando a retenção indevida do imposto e possíveis questionamentos futuros por parte dos beneficiários ou do fisco.

Recomenda-se consultar o texto integral da Solução de Consulta nº 294/2019 no site da Receita Federal do Brasil para esclarecer eventuais dúvidas específicas sobre a aplicação da norma em casos concretos.

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