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Classificação fiscal de medicamentos contendo cloridrato de palonosetrona na NCM

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classificação fiscal de medicamentos contendo cloridrato de palonosetrona na NCM
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A classificação fiscal de medicamentos contendo cloridrato de palonosetrona na NCM foi objeto de análise detalhada pela Receita Federal do Brasil através da Solução de Consulta nº 98.367 – Cosit, publicada em 12 de setembro de 2017. Esta solução esclarece aspectos importantes sobre o enquadramento fiscal de antieméticos contendo este princípio ativo.

Tipo de norma: Solução de Consulta
Número/referência: 98.367 – Cosit
Data de publicação: 12 de setembro de 2017
Órgão emissor: Coordenação-Geral de Tributação da Receita Federal do Brasil

Introdução

A Receita Federal do Brasil, através da Coordenação-Geral de Tributação (Cosit), emitiu orientação sobre a classificação fiscal de medicamentos contendo cloridrato de palonosetrona na NCM, estabelecendo o código correto para esse antiemético usado no tratamento e prevenção de náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia ou em situações pós-operatórias, com efeitos a partir da data de sua publicação.

Contexto da Solução de Consulta

A consulta abordou a classificação fiscal de um medicamento genérico antiemético de uso restrito a hospitais, cujo princípio ativo é o cloridrato de palonosetrona. O produto é apresentado na forma de solução injetável com concentração de 0,05 mg/mL, acondicionado para venda a retalho em embalagens contendo 1, 5, 10 ou 20 ampolas de 5mL cada.

O consulente havia solicitado a classificação na subposição 3004.4, alegando semelhança terapêutica com outros medicamentos como granisetrona e tropisetrona, que pertencem à mesma família de antieméticos bloqueadores do receptor 5HT3. O argumento baseava-se na similaridade de uso terapêutico e na composição molecular semelhante.

Base Legal para Classificação

A classificação fiscal de medicamentos contendo cloridrato de palonosetrona na NCM fundamenta-se nas seguintes normas:

  • Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI)
  • Regras Gerais Complementares do Mercosul (RGC/NCM)
  • Regras Gerais Complementares da Tipi (RGC/Tipi)
  • Pareceres de Classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da OMA
  • Ditames do Mercosul
  • Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (Nesh)

Análise Técnica da Classificação Fiscal

A autoridade fiscal realizou uma análise detalhada da estrutura molecular do produto para determinar sua classificação correta. O processo de classificação seguiu uma sequência lógica conforme as regras estabelecidas:

1. Determinação da Posição na Nomenclatura

Primeiramente, conforme a RGI-1, foi identificado que o produto, por ser um medicamento apresentado em doses ou acondicionado para venda a retalho, classifica-se na posição 30.04 da NCM. Esta posição abrange “Medicamentos constituídos por produtos misturados ou não misturados, preparados para fins terapêuticos ou profiláticos, apresentados em doses ou acondicionados para venda a retalho”.

2. Análise das Subposições

Ao analisar as subposições de primeiro nível da posição 30.04, verificou-se que o produto não se enquadrava nas subposições específicas que mencionam antibióticos, hormônios, alcaloides, vitaminas ou antimaláricos. O princípio ativo cloridrato de palonosetrona não é um alcaloide, ao contrário da granisetrona e tropisetrona citadas pelo consulente. Portanto, a classificação fiscal de medicamentos contendo cloridrato de palonosetrona na NCM recai sobre a subposição residual 3004.90 (“Outros”).

3. Determinação do Item e Subitem

A autoridade fiscal procedeu então à análise da estrutura molecular do cloridrato de palonosetrona para determinar sua classificação no Capítulo 29 (Produtos Químicos Orgânicos). Verificou-se que este princípio ativo é um composto heterocíclico exclusivamente de átomos de nitrogênio, classificado na posição 29.33.

Especificamente, o cloridrato de palonosetrona possui em sua estrutura molecular dois heterociclos, sendo um deles correspondente a uma lactama, o que o classifica na subposição 2933.79. Esta classificação é confirmada pelas listas INN aprovadas pelo Comitê do Sistema Harmonizado (CSH) da OMA.

Como resultado, o medicamento deve ser classificado no item 3004.90.6 (“Que contenham produtos da posição 29.33, mas que não contenham produtos dos itens 3004.90.1 a 3004.90.5”) e, por não corresponder a nenhum dos subitens específicos precedentes, enquadra-se no subitem residual 3004.90.69 (“Outros”).

Diferenciação de Medicamentos com Uso Terapêutico Similar

Um aspecto importante esclarecido nesta solução de consulta é que a classificação fiscal de medicamentos contendo cloridrato de palonosetrona na NCM não se baseia primariamente no uso terapêutico do produto, mas sim na estrutura molecular do princípio ativo e sua respectiva classificação em posição e subposição do Capítulo 29.

Isto explica por que medicamentos com a mesma finalidade terapêutica podem ter classificações fiscais distintas. No caso em análise, embora o cloridrato de palonosetrona tenha uso semelhante à granisetrona e à tropisetrona (antieméticos bloqueadores do receptor 5HT3), estas últimas são classificadas como alcaloides na posição 29.39, o que levaria o medicamento que as contém à subposição 3004.4.

Composição do Medicamento

O medicamento analisado contém, além do princípio ativo cloridrato de palonosetrona, os seguintes excipientes:

  • Manitol
  • Ácido cítrico monohidratado
  • Citrato de sódio
  • EDTA dissódico
  • Hidróxido de sódio
  • Ácido clorídrico concentrado
  • Água para injeção
  • Nitrogênio

Impactos Práticos desta Classificação

A correta classificação fiscal de medicamentos contendo cloridrato de palonosetrona na NCM tem impactos diretos sobre:

  1. Tributação na importação: Determina as alíquotas de Imposto de Importação, IPI, PIS/COFINS-Importação aplicáveis ao produto;
  2. Controles administrativos: Define quais licenças, certificações e registros são necessários para importação e comercialização;
  3. Estatísticas de comércio exterior: Permite o correto registro nas estatísticas oficiais;
  4. Tratamentos tributários diferenciados: Possibilita a identificação de regimes especiais ou benefícios fiscais aplicáveis.

Para os estabelecimentos hospitalares e distribuidores de medicamentos, essa classificação é essencial para o correto cálculo de custos e para a conformidade fiscal nas operações de aquisição, especialmente em importações diretas.

Considerações Finais

A Solução de Consulta nº 98.367 – Cosit estabelece que a classificação fiscal de medicamentos contendo cloridrato de palonosetrona na NCM deve ser realizada no código 3004.90.69, com base nas RGI-1, RGI-6 e RGC-1, levando em consideração a estrutura química do princípio ativo.

Este entendimento reforça a metodologia de classificação fiscal de medicamentos pela Receita Federal do Brasil, que prioriza a análise química dos componentes ativos em detrimento da finalidade terapêutica, quando se trata de definir o enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul.

É importante destacar que esta solução de consulta possui efeito vinculante para a administração tributária federal e, embora aplicável diretamente apenas ao consulente, serve como diretriz para casos semelhantes, oferecendo maior segurança jurídica aos importadores e fabricantes de medicamentos com princípio ativo similar.

Para consultar o texto integral da Solução de Consulta nº 98.367 – Cosit, acesse o Portal da Receita Federal do Brasil.

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