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Classificação Fiscal de Equipamentos de Monitoração de Pressão Arterial na NCM

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classificação fiscal de equipamentos de monitoração de pressão arterial
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A classificação fiscal de equipamentos de monitoração de pressão arterial requer análise técnica precisa para determinar o correto enquadramento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Recentemente, a Receita Federal do Brasil (RFB) publicou a Solução de Consulta COSIT nº 98.057, de 25 de março de 2024, esclarecendo importantes aspectos sobre este tema.

Tipo de norma: Solução de Consulta
Número/referência: COSIT nº 98.057/2024
Data de publicação: 25/03/2024
Órgão emissor: Coordenação-Geral de Tributação (COSIT)

Contexto da Norma

A consulta tributária foi formulada por um contribuinte que buscava confirmar a classificação fiscal de um equipamento para monitoração de pressão arterial e batimentos cardíacos. O dispositivo em questão é alimentado a pilha, possui função de detecção de fibrilação atrial, e é destinado a ser utilizado pelo paciente de forma ininterrupta.

A análise da COSIT baseou-se nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), nas Regras Gerais Complementares (RGC) e nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aplicando a legislação vigente – especificamente a TEC aprovada pela Resolução Gecex nº 272/2021 e a TIPI aprovada pelo Decreto nº 11.158/2022.

Características do Equipamento Analisado

O equipamento objeto da consulta apresenta as seguintes características técnicas:

  • Monitor conectado a uma braçadeira inflável
  • Alimentação por pilhas
  • Visor LCD para exibição dos resultados das medições
  • Medição de pressão arterial e batimentos cardíacos
  • Função de detecção de fibrilação atrial
  • Uso ininterrupto junto ao corpo do paciente
  • Conexão USB para configuração e transmissão de dados para computador
  • Capacidade de emissão de relatórios

Fundamentos da Classificação Fiscal

A classificação fiscal de equipamentos de monitoração de pressão arterial deve seguir critérios específicos estabelecidos pela legislação. No caso analisado, a COSIT aplicou a RGI 1, que estabelece que os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo, sendo a classificação determinada pelos textos das posições e das notas.

O equipamento foi enquadrado inicialmente na posição 90.18, que compreende “Instrumentos e aparelhos para medicina, cirurgia, odontologia e veterinária, incluindo os aparelhos para cintilografia e outros aparelhos eletromédicos, bem como os aparelhos para testes visuais”.

As Notas Explicativas desta posição esclarecem que se classificam nela os instrumentos e aparelhos que se caracterizam pelo fato de que seu uso normal exige, na quase totalidade dos casos, a intervenção de um técnico (médico, cirurgião, etc.) para estabelecer um diagnóstico, prevenir ou tratar uma doença.

Um ponto importante destacado na decisão é que, embora o equipamento não dependa de um técnico para sua utilização direta pelo paciente, a configuração da máquina e a emissão do relatório provavelmente são realizadas por profissionais técnicos. Além disso, as NESH esclarecem que a intervenção técnica é necessária na “quase totalidade” dos casos, não em todos.

Determinação da Função Principal do Equipamento

Por ser um aparelho com múltiplas funções, foi necessário determinar sua função principal, conforme dispõe a Nota 3 do Capítulo 90, que remete à Nota 3 da Seção XVI. Esta estabelece que “as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificam-se de acordo com a função principal que caracterize o conjunto”.

A análise técnica concluiu que, devido à sua complexidade e necessidade do uso da braçadeira, a função “medir pressão arterial” é a principal, tanto em relação à contagem de batimentos cardíacos quanto à detecção de fibrilação atrial, considerada uma função acessória do equipamento.

Com base nessa definição, o produto foi classificado no item 9018.90.6, “aparelhos para medida de pressão arterial”.

Classificação Final do Equipamento

Para finalizar a classificação fiscal de equipamentos de monitoração de pressão arterial, foi necessário definir o subitem aplicável dentro do item 9018.90.6. Neste caso, existem duas possibilidades:

  • 9018.90.61: aparelhos que usam mercúrio
  • 9018.90.69: demais aparelhos

Como o equipamento em questão não contém mercúrio (utilizando um visor LCD para exibição dos resultados), a COSIT concluiu que a classificação correta é o código NCM 9018.90.69 da TEC/TIPI vigentes.

Implicações Práticas desta Classificação

A correta classificação fiscal de equipamentos de monitoração de pressão arterial traz diversas implicações práticas para importadores, exportadores e fabricantes destes dispositivos:

  1. Tributação adequada: A classificação determina as alíquotas de impostos aplicáveis na importação (II, IPI, PIS/COFINS-Importação) e na comercialização no mercado interno (IPI, PIS/COFINS).
  2. Tratamentos administrativos: Impacta os requisitos para licenciamento de importação, certificações e registros junto a órgãos como ANVISA.
  3. Benefícios fiscais: Pode influenciar a aplicação de regimes especiais e benefícios fiscais específicos para produtos médico-hospitalares.
  4. Acordos comerciais: Determina o tratamento tarifário preferencial em acordos comerciais dos quais o Brasil é signatário.

É importante destacar que esta classificação se aplica especificamente a equipamentos com as características descritas na consulta. Variações nas funcionalidades, composição ou finalidade podem resultar em classificações diferentes.

Aspectos Relevantes para Importadores e Fabricantes

Empresas que importam ou fabricam equipamentos para monitoração de pressão arterial devem atentar para alguns pontos importantes:

  1. Verificar se o produto se enquadra exatamente na descrição da Solução de Consulta, pois esta não convalida informações apresentadas pelo consulente;
  2. Analisar as características determinantes da mercadoria e sua correlação com a descrição contida na ementa da classificação;
  3. Observar que equipamentos que utilizam mercúrio têm classificação distinta (9018.90.61);
  4. Considerar que alterações tecnológicas significativas podem levar a classificações diferentes;
  5. Avaliar a necessidade de consulta formal à Receita Federal em caso de dúvidas específicas sobre variações do produto.

Considerações Finais

A Solução de Consulta COSIT nº 98.057/2024 fornece importantes diretrizes para a classificação fiscal de equipamentos de monitoração de pressão arterial, especialmente aqueles de uso contínuo pelo paciente, com capacidade de armazenamento e transmissão de dados.

Esta decisão demonstra a complexidade envolvida na classificação de produtos médicos tecnologicamente avançados, onde é necessário analisar não apenas suas características físicas, mas também suas funcionalidades e finalidade principal.

Para garantir conformidade fiscal e evitar questionamentos ou penalidades, é fundamental que empresas do setor se mantenham atualizadas sobre as interpretações oficiais da Receita Federal e busquem orientação especializada em casos de dúvida.

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