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Classificação fiscal de condicionador de energia na NCM 8536.30.90

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classificação fiscal de condicionador de energia
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A classificação fiscal de condicionador de energia foi recentemente esclarecida pela Receita Federal do Brasil por meio da Solução de Consulta nº 98.345 – COSIT, publicada em 30 de setembro de 2024. Este documento traz orientações importantes para empresas que importam, comercializam ou utilizam equipamentos de proteção para circuitos elétricos.

Identificação da Norma

  • Tipo de norma: Solução de Consulta
  • Número/referência: 98.345 – COSIT
  • Data de publicação: 30/09/2024
  • Órgão emissor: Coordenação-Geral de Tributação da Receita Federal

Contexto da Consulta

Um contribuinte questionou a Receita Federal sobre a correta classificação fiscal de condicionador de energia na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). O produto em análise é um aparelho com dupla função: proteção de circuitos elétricos contra surtos e subtensão, além de atenuação de ruídos de alta frequência.

O consulente, inicialmente, havia classificado o produto no código 8536.90.90, porém questionou se o correto não seria o código 9032.89.19, relativo a reguladores de voltagem. A análise técnica da Receita Federal buscou identificar a função principal do equipamento para determinar sua correta classificação.

Características do Equipamento

De acordo com a descrição técnica apresentada na consulta, o condicionador de energia possui as seguintes características:

  • Entrada e múltiplas saídas de 220V
  • Potência nominal de 2,2 kW
  • Dois circuitos de proteção:
  • Um baseado em relé, que corta a energia quando a tensão fica abaixo de 187V ou acima de 253V
  • Outro baseado em varistores de óxido metálico (VOM), que atua quando a tensão ultrapassa 300V
  • Circuito de atenuação de ruídos de alta frequência composto por filtros LC passa-baixa e filtro de modo comum
  • Possui saídas em regime de “bypass” que permanecem energizadas mesmo com o interruptor desligado

Fundamentos da Classificação

A classificação fiscal de condicionador de energia é determinada com base nas Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI), nas Regras Gerais Complementares do Mercosul (RGC/NCM), e subsidiariamente nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH).

No caso em análise, a Receita Federal avaliou que o equipamento possui duas funções distintas:

  1. Proteção elétrica contra sobretensão e subtensão: função enquadrável na posição 85.36 da NCM, que abrange “Aparelhos para interrupção, seccionamento, proteção, derivação, ligação ou conexão de circuitos elétricos […] para uma tensão não superior a 1.000 V”
  2. Atenuação de ruídos de alta frequência: função enquadrável na posição 85.43 da NCM, que inclui “máquinas e aparelhos elétricos com função própria, não especificados nem compreendidos noutras posições do Capítulo 85”

Como o equipamento possui duas funções, ambas classificáveis no Capítulo 85, a Receita Federal aplicou a Nota 3 da Seção XVI, que determina que, em caso de máquinas concebidas para executar duas ou mais funções, a classificação deve ser feita de acordo com a função principal que caracterize o conjunto.

Decisão da Receita Federal

A análise técnica concluiu que a função principal do produto é a proteção do circuito elétrico, considerando que:

  • Existem dois circuitos dedicados à proteção contra subtensão e sobretensão
  • A função de proteção é mais relevante por impedir a eventual queima de aparelhos conectados ao dispositivo
  • A função de atenuação de ruídos, embora importante, é secundária em relação à proteção

Portanto, a classificação fiscal de condicionador de energia foi definida na posição 85.36 da NCM. Dentro dessa posição, por se tratar de um dispositivo de proteção, enquadra-se na subposição 8536.30 – “Outros aparelhos para proteção de circuitos elétricos”.

Finalmente, por não se tratar de um centelhador a gás (item 8536.30.10), o produto foi classificado no item 8536.30.90 – “Outros”.

Por que não é um regulador de voltagem?

A Receita Federal descartou a classificação sugerida pelo consulente (9032.89.19 – reguladores de voltagem) com base nas Notas Explicativas da posição 90.32, que definem os reguladores automáticos de grandezas elétricas como dispositivos destinados a conduzir uma grandeza a um valor prescrito e ali mantê-la sem interrupções.

No caso do condicionador de energia em análise, os circuitos de proteção não mantêm uma tensão constante na saída, mas simplesmente cortam o circuito em caso de subtensão ou sobretensão. Da mesma forma, o atenuador de ruído não se destina a regular uma grandeza e mantê-la em um valor específico.

Implicações Práticas

A correta classificação fiscal de condicionador de energia tem implicações diretas para empresas que importam, fabricam ou comercializam esses equipamentos, afetando:

  • A tributação na importação, devido às diferentes alíquotas de Imposto de Importação
  • A incidência de IPI, conforme a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI)
  • O correto preenchimento de documentos fiscais e declarações aduaneiras
  • A possível aplicação de benefícios fiscais específicos para determinados códigos

Vale destacar que a Solução de Consulta esclarece que o produto não se enquadra no Ex 01 da TIPI da referida posição (“Dispositivos de transientes de tensão, para proteção de transmissores, de potência igual ou superior a 20 kW”), pois não é concebido para proteção de transmissores e sua potência nominal é de apenas 2,2 kW.

Considerações Finais

A Solução de Consulta 98.345 – COSIT representa um importante precedente para a classificação fiscal de condicionadores de energia e outros dispositivos de proteção elétrica com múltiplas funções. É importante destacar que, conforme o art. 46 da IN RFB nº 2.057/2021, a Solução de Consulta não convalida informações apresentadas pelo consulente.

Portanto, para adotar corretamente o código NCM 8536.30.90, é necessário que o produto apresente características que correspondam à descrição contida na ementa da Solução de Consulta. Além disso, a decisão não impede que a autoridade tributária solicite amostras para a realização de laudo técnico com o intuito de confirmar os dados informados pelo contribuinte.

Empresas que fabricam, importam ou comercializam condicionadores de energia devem observar atentamente esta classificação para evitar questionamentos fiscais e garantir a correta tributação de seus produtos. A Solução de Consulta 98.345 pode ser consultada na íntegra no site da Receita Federal do Brasil.

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