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Classificação Fiscal de Brigadeiro Recoberto com Chocolate na NCM 1806.90.00

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Classificação Fiscal de Brigadeiro Recoberto com Chocolate
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A Classificação Fiscal de Brigadeiro Recoberto com Chocolate foi objeto de análise pela Receita Federal, que estabeleceu o código NCM 1806.90.00 para este produto típico da confeitaria brasileira. Vamos entender os fundamentos desta classificação e sua aplicação prática.

Tipo de norma: Solução de Consulta
Número: 98.328 – COSIT
Data de publicação: 22 de agosto de 2017
Órgão emissor: Coordenação-Geral de Tributação da Receita Federal do Brasil

Contexto da Consulta Fiscal

A consulta teve como objeto a classificação fiscal na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) de um produto específico: bombom brigadeiro recoberto com chocolate. Este doce, tradicional na culinária brasileira, é produzido a partir de leite condensado, manteiga, creme de leite e cacau em pó, apresentado em formato esférico e recoberto por chocolate, com peso unitário de 25g, acondicionado em caixa com 6 unidades para venda ao consumidor final.

A correta classificação fiscal é fundamental para determinar a tributação aplicável, tanto para operações no mercado interno quanto para comércio exterior, além de ser requisito essencial para o cumprimento de obrigações acessórias como emissão de notas fiscais e declarações aduaneiras.

Fundamentos Legais da Classificação

A classificação fiscal de mercadorias segue uma metodologia específica, baseada nas seguintes regras:

  • Regras Gerais para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI)
  • Regras Gerais Complementares do Mercosul (RGC)
  • Regras Gerais Complementares da TIPI (RGC/TIPI)
  • Pareceres do Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Aduanas (OMA)
  • Ditames do Mercosul
  • Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), em caráter subsidiário

No caso específico do brigadeiro recoberto com chocolate, a Classificação Fiscal de Brigadeiro Recoberto com Chocolate baseou-se principalmente na RGI 1 e na RGI 6, além da Nota 2 do Capítulo 18 da NCM.

Análise Técnica da Classificação

A análise realizada pela Receita Federal seguiu um caminho técnico específico:

Primeiramente, aplicou-se a RGI 1, que determina que a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Neste caso, a Nota 2 do Capítulo 18 estabelece que:

“A posição 18.06 compreende os produtos de confeitaria contendo cacau, bem como, ressalvadas as disposições da Nota 1 do presente Capítulo, as outras preparações alimentícias contendo cacau.”

Como o brigadeiro recoberto com chocolate é claramente um produto de confeitaria contendo cacau, foi corretamente incluído na posição 18.06 – “Chocolate e outras preparações alimentícias que contenham cacau”.

Em seguida, aplicou-se a RGI 6 para determinar a subposição adequada. Esta regra determina que apenas subposições do mesmo nível são comparáveis entre si. Analisando as subposições da posição 18.06, temos:

  • 1806.10.00 – Cacau em pó, com adição de açúcar ou de outros edulcorantes
  • 1806.20.00 – Outras preparações em blocos ou em barras, de peso superior a 2 kg, ou no estado líquido, em pasta, em pó, grânulos ou formas semelhantes, em recipientes ou embalagens imediatas de conteúdo superior a 2 kg
  • 1806.3 – Outros, em tabletes, barras e paus
  • 1806.90.00 – Outros

Como o brigadeiro não se enquadra nas descrições específicas das subposições 1806.10.00, 1806.20.00 ou 1806.3, pois não é cacau em pó, nem preparação em blocos ou barras de peso superior a 2kg, nem está em formato de tabletes, barras ou paus, foi classificado na subposição residual 1806.90.00 – “Outros”.

Importância Prática desta Classificação

A Classificação Fiscal de Brigadeiro Recoberto com Chocolate na NCM 1806.90.00 traz diversas implicações práticas para fabricantes e comerciantes deste produto:

  1. Tributação específica: Cada código NCM possui alíquotas próprias para tributos como IPI, PIS/COFINS, Imposto de Importação, entre outros;
  2. Emissão de documentos fiscais: A correta indicação do NCM é obrigatória nas notas fiscais;
  3. Operações de comércio exterior: A classificação determina o tratamento aduaneiro, licenças necessárias e alíquotas de II e IE;
  4. Estatísticas oficiais: Os dados de produção e comércio são compilados com base nos códigos NCM;
  5. Regimes especiais: Alguns benefícios fiscais são concedidos com base na classificação fiscal dos produtos.

Para os fabricantes de brigadeiros recobertos com chocolate, esta classificação traz segurança jurídica, permitindo o correto cumprimento das obrigações tributárias e evitando questionamentos fiscais que poderiam resultar em autuações.

Análise Comparativa

É interessante notar que a classificação do brigadeiro na posição 18.06 ocorre por conta da presença de cacau em sua composição e no revestimento de chocolate. Outros doces similares que não contenham cacau seriam classificados em posições diferentes, como a 17.04 – “Produtos de confeitaria (incluindo o chocolate branco), que não contenham cacau”.

Além disso, caso o brigadeiro fosse apresentado em formato diferente, como em barras ou tabletes, poderia ser classificado na subposição 1806.3 ao invés da 1806.90.00, demonstrando a importância do formato e apresentação do produto para sua classificação fiscal.

Considerações Finais

A Classificação Fiscal de Brigadeiro Recoberto com Chocolate na NCM 1806.90.00, estabelecida pela Solução de Consulta nº 98.328 – Cosit, exemplifica a metodologia utilizada pela Receita Federal para classificar produtos de confeitaria contendo cacau.

Este entendimento oferece segurança jurídica aos fabricantes e comerciantes deste tradicional doce brasileiro, permitindo o correto cumprimento das obrigações tributárias e acessórias relacionadas ao produto.

É fundamental que as empresas do setor de confeitaria estejam atentas à composição, formato e apresentação de seus produtos, pois pequenas variações podem resultar em diferentes classificações fiscais, com impactos diretos na tributação aplicável e no cumprimento de requisitos legais específicos.

Para mais informações, os interessados podem consultar a íntegra da Solução de Consulta nº 98.328 no site da Receita Federal do Brasil.

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