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Benefícios fiscais do PERSE para empresas do setor de eventos: regras e aplicação

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Os benefícios fiscais do PERSE para empresas do setor de eventos representam um importante alívio tributário para um segmento fortemente afetado durante a pandemia. A Receita Federal do Brasil emitiu recentemente uma Solução de Consulta esclarecendo diversos pontos sobre a aplicação deste regime especial, incluindo o alcance da redução de alíquota a zero, obrigações acessórias e tratamento de créditos.

Informações sobre a Solução de Consulta

  • Tipo de norma: Solução de Consulta
  • Número/referência: COSIT nº 226
  • Data de publicação: 2 de outubro de 2023
  • Órgão emissor: Coordenação-Geral de Tributação (COSIT)

Contextualização do Programa de Retomada do Setor de Eventos

O Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE) foi instituído pela Lei nº 14.148, de 3 de maio de 2021, com o objetivo de criar condições para a recuperação do setor severamente impactado pelas medidas de combate à pandemia de Covid-19. Um dos principais componentes do programa é a desoneração tributária prevista no artigo 4º da referida lei, que estabelece alíquota zero para diversos tributos federais.

Antes da publicação desta Solução de Consulta, havia diversas dúvidas sobre a aplicabilidade e o alcance do benefício, especialmente em relação às atividades enquadradas e ao tratamento dos créditos da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS.

Principais Disposições da Solução de Consulta

Enquadramento de Atividades Beneficiadas

A Solução de Consulta esclarece que o benefício fiscal do PERSE pode ser aplicado às receitas auferidas e aos resultados obtidos por pessoas jurídicas que exerciam, em 18 de março de 2022, atividades econômicas enquadradas no código 8230-0/01 da CNAE (Serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas). No entanto, é necessário que essas atividades estejam efetivamente relacionadas a alguma das áreas do setor de eventos listadas no art. 2º, § 1º, da Lei nº 14.148/2021.

Créditos da Não Cumulatividade

Um ponto importante abordado na consulta refere-se aos créditos da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS. A partir de 1º de abril de 2023, ficou vedada a apropriação, manutenção e utilização de créditos vinculados a receitas beneficiadas pela alíquota zero do PERSE. Esta disposição estabelece um marco temporal claro para as empresas beneficiárias.

Abrangência das Receitas e Resultados Beneficiados

A Solução de Consulta também esclarece que o benefício fiscal do PERSE para empresas do setor de eventos não é aplicável a todas as receitas e resultados da pessoa jurídica. O benefício limita-se exclusivamente às receitas e resultados que decorram diretamente do exercício de atividades integrantes do setor de eventos, conforme definido na legislação. As empresas devem, portanto, realizar a segregação das receitas e resultados conforme sejam abrangidos ou não pelo benefício.

Esta determinação é fundamental para a correta aplicação do regime, pois muitas empresas do setor de eventos também podem exercer atividades não contempladas pelo PERSE, exigindo controles internos adequados para a segregação fiscal.

Retenção na Fonte e Obrigações Acessórias

Outro esclarecimento importante diz respeito às obrigações acessórias das empresas beneficiárias. Os prestadores de serviços que se beneficiam da redução de alíquotas a zero devem informar essa condição na nota ou documento fiscal emitido, incluindo o enquadramento legal. A ausência dessa informação pode sujeitar a empresa à retenção dos tributos sobre o valor total da nota fiscal.

A Medida Provisória nº 1.147/2022, posteriormente convertida na Lei nº 14.592/2023, estabeleceu expressamente a dispensa de retenção de IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins para pagamentos referentes a receitas desoneradas pelo PERSE.

Adicional do IRPJ

A Receita Federal esclareceu que o benefício fiscal de alíquota zero inclui tanto a alíquota regular do IRPJ quanto a alíquota do adicional. Este entendimento amplia o alcance do benefício, proporcionando maior desoneração para as empresas do setor.

Impactos Práticos para as Empresas do Setor de Eventos

A aplicação dos benefícios fiscais do PERSE para empresas do setor de eventos traz impactos significativos para o fluxo de caixa e para a gestão tributária dessas organizações. Entre os principais efeitos práticos, destacam-se:

  • Redução significativa da carga tributária federal sobre as receitas relacionadas às atividades do setor de eventos
  • Necessidade de implementação de controles contábeis e fiscais para segregação das receitas beneficiadas
  • Adaptação nas rotinas de emissão de documentos fiscais, com inclusão da informação sobre o enquadramento no PERSE
  • Ajustes nos procedimentos de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS
  • Revisão do planejamento tributário considerando o período de vigência limitado do benefício

Análise Comparativa com a Situação Anterior

Antes da implementação do PERSE, as empresas do setor de eventos estavam sujeitas à tributação regular, com alíquotas de 15% para o IRPJ (adicional de 10% sobre o lucro excedente a R$ 20 mil mensais), 9% para a CSLL, e alíquotas de 0,65% a 7,6% para PIS/PASEP e COFINS, dependendo do regime de apuração.

Com a redução a zero das alíquotas desses tributos, as empresas passaram a contar com uma economia tributária substancial, permitindo a recuperação gradual após o período crítico da pandemia. No entanto, é importante ressaltar que o benefício tem prazo determinado e está sujeito a condições específicas.

Considerações Finais

A Solução de Consulta analisada traz importantes esclarecimentos sobre a aplicação dos benefícios fiscais do PERSE para empresas do setor de eventos, contribuindo para maior segurança jurídica na fruição do incentivo. As empresas beneficiárias devem estar atentas aos requisitos específicos e às obrigações acessórias relacionadas.

É fundamental que as empresas do setor mantenham documentação adequada para comprovar o enquadramento nas atividades beneficiadas, bem como a segregação contábil e fiscal das receitas. A manutenção desses controles é essencial para evitar questionamentos em procedimentos de fiscalização.

Vale destacar que a Solução de Consulta analisada está vinculada a outras Soluções de Consulta anteriores sobre o mesmo tema, demonstrando a consolidação do entendimento da Receita Federal sobre aspectos específicos do PERSE. As empresas devem acompanhar eventuais novas manifestações oficiais que possam complementar ou alterar esse entendimento.

Para mais informações, é recomendável consultar o texto integral da Solução de Consulta COSIT nº 226, de 2 de outubro de 2023.

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