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Como determinar o grau de risco para contribuições GIIL-RAT por estabelecimento

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A determinação do grau de risco para contribuições GIIL-RAT é um tema fundamental para empresas que buscam o correto cumprimento de suas obrigações previdenciárias. Conforme esclarecido pela Receita Federal, existem critérios específicos que devem ser observados para este enquadramento, que impacta diretamente nos valores a serem recolhidos.

Identificação da Norma

– Tipo de norma: Solução de Consulta
– Número/referência: DISIT/SRRF10 nº 10008, de 2 de abril de 2021
– Data de publicação: 16/04/2021
– Órgão emissor: Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 10ª Região Fiscal

Entendendo a contribuição GIIL-RAT

O GIIL-RAT (Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho), anteriormente conhecido como SAT (Seguro de Acidente do Trabalho), é uma contribuição social destinada ao financiamento de benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, incluindo as aposentadorias especiais.

Esta contribuição é calculada mediante a aplicação de diferentes alíquotas sobre a folha de pagamento, que variam conforme o grau de risco da atividade preponderante da empresa: 1% para risco leve, 2% para risco médio e 3% para risco grave.

Atividade Principal vs. Atividade Preponderante

Um dos pontos centrais esclarecidos pela Solução de Consulta DISIT/SRRF10 nº 10008 é a diferença entre atividade principal e atividade preponderante para fins de enquadramento do grau de risco para contribuições GIIL-RAT:

  • Atividade Principal: É aquela identificada no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) como a principal atividade econômica da empresa.
  • Atividade Preponderante: É aquela que, em cada estabelecimento (matriz ou filial), é efetivamente desempenhada pelo maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.

A Receita Federal esclarece categoricamente que o enquadramento no grau de risco para fins de recolhimento das contribuições GIIL-RAT não está vinculado à atividade econômica principal registrada no CNPJ, mas sim à atividade preponderante de cada estabelecimento.

Determinação por Estabelecimento

Um aspecto crucial destacado na norma é que a avaliação do grau de risco para contribuições GIIL-RAT deve ser feita individualmente para cada estabelecimento da empresa, seja ele matriz ou filial. Isso significa que:

  1. Cada estabelecimento (CNPJ matriz ou filial) deve identificar sua própria atividade preponderante;
  2. O grau de risco será determinado com base na atividade preponderante de cada estabelecimento;
  3. Estabelecimentos diferentes da mesma empresa podem ter graus de risco distintos, dependendo da atividade preponderante em cada um deles;
  4. Esta identificação não interferirá no código CNAE da atividade principal da empresa registrada no CNPJ.

Base Legal e Precedentes

A Solução de Consulta está fundamentada em um sólido arcabouço legal e vincula-se a entendimentos anteriores, incluindo:

  • Lei 8.212, de 1991, art. 22, inciso II;
  • Lei nº 10.522, de 2002, art. 19;
  • Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, artigos 72, §1º, incisos I e II, 109-B, 109-C e 488;
  • Soluções de Consulta COSIT nº 28, de 2020; nº 78, de 2015 e nº 179, de 2015;
  • Ato Declaratório PGFN n° 11, de 2011;
  • Pareceres PGFN/CDA nº 2.025 e PGFN/CRF nº 2.120, ambos de 2011.

É importante destacar que a consulta pode ser acessada integralmente no site oficial da Receita Federal.

Impactos Práticos para Empresas

A correta aplicação dos critérios para determinação do grau de risco para contribuições GIIL-RAT tem impactos financeiros significativos para as empresas:

  1. Economia de recursos: Um enquadramento errôneo pode resultar em pagamento excessivo de contribuições;
  2. Prevenção de autuações: Classificações incorretas podem gerar autuações e multas em caso de fiscalização;
  3. Planejamento tributário: Empresas com múltiplos estabelecimentos podem otimizar sua estrutura considerando os diferentes graus de risco;
  4. Gestão de pessoal: A distribuição de empregados entre estabelecimentos pode impactar na determinação da atividade preponderante.

Para a correta aplicação dessa metodologia, as empresas devem manter controles eficientes sobre o número de empregados em cada estabelecimento e as atividades que efetivamente desempenham, não se limitando à descrição formal das funções, mas considerando as tarefas realmente executadas.

Procedimento para Determinar a Atividade Preponderante

Para identificar corretamente a atividade preponderante em cada estabelecimento e, consequentemente, o grau de risco para contribuições GIIL-RAT, a empresa deve:

  • Mapear todas as atividades desenvolvidas em cada estabelecimento;
  • Quantificar o número de empregados e trabalhadores avulsos alocados em cada atividade;
  • Identificar a atividade que concentra o maior número de trabalhadores;
  • Verificar a classificação dessa atividade na tabela de graus de risco da legislação previdenciária;
  • Aplicar a alíquota correspondente ao grau de risco identificado.

É fundamental que este processo seja documentado e revisado periodicamente, especialmente quando houver alterações significativas no quadro de pessoal ou nas atividades desenvolvidas pelo estabelecimento.

Considerações Finais

A Solução de Consulta DISIT/SRRF10 nº 10008 traz importante esclarecimento sobre a determinação do grau de risco para contribuições GIIL-RAT, reforçando que esta classificação deve ser feita com base na atividade preponderante de cada estabelecimento, e não na atividade principal registrada no CNPJ.

Este entendimento é especialmente relevante para empresas com múltiplos estabelecimentos ou que desenvolvem atividades diversificadas, pois permite uma classificação mais precisa e adequada à realidade operacional de cada unidade.

As empresas devem estar atentas a estas orientações para garantir o correto cumprimento de suas obrigações previdenciárias, evitando tanto o recolhimento excessivo quanto insuficiente de contribuições, ambos prejudiciais à saúde financeira do negócio.

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